sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

And the Oscar goes to…



Foi divulgada ontem a lista de filmes indicados a 81ª edição do Academy Awards – ou o Oscar, se preferir. A premiação deste ano será realizada no Teatro Kodak (que sedia o evento desde 2002), localizado em Hollywood, Califórnia, e terá a apresentação do ator australiano Hugh Jackman (o Wolverine da série de longas X-Men), que comandará a atração pela primeira vez. A data de entrega dos prêmios será no dia 22 de fevereiro, um domingo de Carnaval. Logo, não asseguro que a Globo vá transmiti-los, uma vez que nós já sabemos da tradição que ela tem com os desfiles das escolas de samba cariocas. Pelo menos, a TNT já confirmou que vai exibir a premiação.


O filme com o maior número de indicações é O Curioso Caso de Benjamin Button, que concorre em 13 categorias. Logo atrás, aparecem Quem Quer Ser Um Milionário?, com dez nominações, Milk – A Voz da Igualdade e Batman – O Cavaleiro das Trevas, recebendo oito cada. Destaque também para WALL·E, que obteve seis categorias, dividindo com A Bela e a Fera (1991) o título de longa animado mais indicado na história do Oscar, embora não tenha igualado o feito de concorrer à Melhor Filme.


Por falar em Melhor Filme, a categoria mais importante da premiação teve como indicados os longas Benjamin Button, Frost/Nixon, O Leitor, Milk e Quem Quer Ser um Milionário?. Esse campo, inclusive, manteve a tradição de não incluir um grande blockbuster, embora Benjamin Button tenha conseguido uma bilheteria maior do que Juno, que foi o filme mais lucrativo entre os indicados nessa categoria no ano passado.


Entre os nominados a melhor ator, estão Mickey Rourke, por O Lutador; Sean Penn, por Milk; Frank Langella, por Frost/Nixon; Brad Pitt, por Benjamin Button; e Richard Jenkins, por The Visitor. Já entre as atrizes (dessa vez, com atuações mais fraquinhas), figuram Kate Winslet, por O Leitor; Meryl Streep, por Dúvida; Anne Hathaway, por O Casamento de Rachel; Angelina Jolie, por A Troca; e Melissa Leo, por Rio Congelado. Os diretores premiados esse ano – Danny Boyle, David Fincher, Gus Van Sant, Ron Howard e Stephen Daldry – também tiveram suas obras indicadas à categoria de Melhor Filme.


No fim das contas, a lista de selecionados do Oscar rendeu grandes surpresas. Algumas foram boas, como o fato do finado Heath Ledger estar concorrendo a Melhor Ator Coadjuvante por Batman, ou Penélope Cruz e Taraji P. Henson batalharem pelo título de Melhor Atriz Coadjuvante (por Vicky Cristina Barcelona e Benjamin Button, respectivamente). Outras decepcionaram, como a ousadia da Academia por ter ignorado a atuação de Sally Hawkins em Simplesmente Feliz ou todo o envolvimento de Clint Eastwood em Gran Torino e até o fato do Brasil não constar entre os indicados. Porém, uma coisa é certa: todos estarão interessados em saber o resultado.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Um blog para outros blogs


Eu acredito que as pessoas que acessaram este blog já devem ter percebido que, nele, se fala de tudo um pouco. Claro que o tema principal é cultura e entretenimento, mas vai além disso. Sei que também não é a idéia mais original de todas, até porque eu confesso que a criação deste blog teve como referência outros blogs da vida pelos quais me admirei ao longo desses anos em que estive navegando incessantemente pela rede. A dica de internet de hoje se refere a uma dessas influencias “internéticas” que tive, e que tenho certeza, serve também de referência para outros blogueiros.

Estou falando do Judão, o site (ex-blog) que, como ele próprio diz, aborda sobre “cultura pop com senso de humor”. Mas calma, ele não tem nada a ver com a religião judaica, nem faz graça com o mesmo. A página trata basicamente sobre cinema, televisão, games, livros, HQs, entre outras coisas. Tudo com uma linguagem jovem e uma irreverência adaptada para o mundo da Internet (às vezes, tão adaptada, que só eles mesmos conseguem entender). Deu pra notar a influência que o meu Ponto de Vista recebeu deles, não é?


O Judão foi criado em 2000 por Thiago Borbolla e começou como um blog e recebia apenas duas postagens por semana, geralmente com textos crônicos. Com o tempo, esse número foi aumentando e, consequentemente, o ritmo de atualizações. Logo, passou a ser um site com domínio próprio e apresentava tanto textos críticos quanto notícias, publicadas não apenas por Borbolla, mas por outros membros associados. Hoje, a página recebe cerca de 50 mil visitas por dia e é considerado um dos maiores portais de notícia brasileiros sobre entretenimento, cultura e assuntos do mundo nerd.

Além de Borbolla, (o dono do Judão, também conhecido como Borbs), o conteúdo também é atualizado por outros colaboradores, como Leonardo Alcalde, Tayra Vasconcelos, Renan Martins, André Luiz de Mello, Thiago Cardim, Alexandre Castilho, entre outros. O site tem um estilo próprio, voltado especialmente ao público jovem. O layout é bastante colorido, as seções encontram-se bem divididas e a linguagem se mostra acessível e “assaz” descontraída, como eles mesmos diriam.


Mesmo com todo o sucesso obtido nesses nove anos de Judão, as pessoas que fazem o site têm consciência de que ele terá para sempre a alma de um blog. O próprio Borbolla já disse, numa entrevista, que o blog é “uma das diversas ótimas maneiras de se transmitir informação” e que o diferencial para um blogueiro reside “em alguém querer saber o que você vai falar sobre tal assunto”. Espero estar acompanhando esse caminho.

Endereço: www.judao.com.br

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Os personagens de uma história musical


Quem já ouviu falar em Nelson Motta, deve saber que ele é um dos maiores conhecedores da música brasileira contemporânea. Além disso, já foi jornalista, produtor, compositor, diretor artístico, crítico cultural, dentre outras funções. Todavia, são poucos aqueles que testemunharam de perto a vida de Nelson, ou mesmo, sabem quais foram as pessoas que proporcionaram a ele uma proximidade maior com o mundo da música e, consequentemente, tornaram-no hoje um dos grandes experts no que se refere à história do cenário musical do Brasil.


Para satisfazer a curiosidade dos interessados e também para registrar as histórias e impressões que teve com os grandes nomes da MPB, Nelson decidiu escrever o livro Noites Tropicais (Ed. Objetiva, 2000). A obra conta a trajetória musical do autor, que vai desde 1957, quando afirma ter se encantado pela bossa-nova ao ouvir João Gilberto cantar Chega de Saudade, até 1992, quando se mudou para os Estados Unidos, inconformado com o governo Collor e com a banalização da música nacional.


Quase uma biografia, Nelson Motta resgata em Noites Tropicais casos deliciosos presentes em suas memórias, que tem como personagens grandes nomes da MPB, como Vinícius de Moraes, João Gilberto, Roberto Carlos, Elis Regina e Rita Lee. Porém, quem recebe maior destaque no livro é Tim Maia, que protagoniza boa parte das histórias mais interessantes contadas pelo autor. Tudo isso organizado numa ordem cronológica, que apesar de não ser muito correta, é bastante eficaz.

A obra também se mostra relevante por acompanhar um período da história político-social do Brasil marcado pela repressão da ditadura militar e pelos grandes festivais de música brasileira, onde se destacam os movimentos da bossa-nova, da tropicália e da jovem-guarda. À medida que o tempo avança, Nelson comenta os estilos musicais subseqüentes (tudo mediante uma devida contextualização histórica), sejam os mais influentes, como a disco music, a black music e o rock nacional; ou os menos nivelados, como o sertanejo, o axé e o funk.


Como um todo, Noites Tropicais funciona como um registro da música brasileira dos últimos 50 anos, um documento que, de maneira digna, preenche uma lacuna que estava há muito tempo aberta nos resquícios da memória da população. Dado o devido merecimento, o livro também não deixa de ser uma deliciosa viagem pela história musical do Brasil, contando apenas com a visão simples e pessoal de Nelson Motta. É como sentir a sensação de se estar ouvindo uma boa canção. Até rimou!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Invasão britânica no Brasil



Mesmo sem estar mais no auge da carreira, Sir Elton John prova que ainda tem muitos admiradores e bastante energia para gastar. A prova disso foi o show que ele realizou em São Paulo, através da turnê Rocket Man, no último dia 17, ao lotar o Arena Skol Morumbi e levar os 30 mil fãs ao êxtase. O espetáculo teve mais de duas horas de duração e foi transmitido ao vivo pela TV Globo (em partes) e pelo canal por assinatura Multishow (por completo). A dose foi repetida ontem na Praça da Apoteose, localizada no Rio de Janeiro, onde o britânico fez sua segunda apresentação pelo país.

Há 14 anos sem se apresentar no Brasil, o inglês começou o show exatamente às 22 horas, mantendo a tradição da pontualidade britânica. Antes dele, o conterrâneo James Blunt havia acabado de encerrar a abertura alguns minutos atrás. Enquanto este havia feito um show mais íntimo, marcado pelo romantismo de suas músicas, Elton John transformou o clima do local para uma pista de dança dos anos 70, com direito a vários sucessos da década de ouro da disco music.


A música Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding deu o tom no início da apresentação e foi seguida por outros sucessos, como The Bitch Is Back, Madman Across the Water, Bennie and the Jets, Philadelphia Freedom, Crocodile Rock e Saturday Night Alright. As baladas românticas também não ficaram de lado, entre elas, Tiny Dancer, Goodbye Yellow Brick Road, Daniel, Rocket Man, Don’t Let the Sun Go Down on Me, Sorry Seems to Be the Hardest Word e Candle in the Wind.

Embora a maioria das canções fosse da década de 1970, Elton também chegou a cantar sucessos dos anos 80 e 90, como Sacrifice, I Guess That’s What They Call It the Blues, Sad Songs e I’m Still Standing. A mais recente foi Believe, gravada em 1995. No final da apresentação, após retornar ao palco para o bis, o cantor surpreendeu a todos ao tocar Skyline Pigeon improvisadamente, usando apenas o piano como acompanhamento. Ao terminar, dedicou a música Your Song para os fãs brasileiros.



Sentado durante a maior parte do show, o músico interagiu pouco com a platéia, mas sempre se levantava do banco do piano ao encerrar uma canção e prontamente agradecia ao público. Porém, quem precisa mesmo ficar grato a ele são os fãs do próprio Elton, pois ele é um dos poucos artistas que conseguiram, nessas quatro décadas de carreira e do alto de seus 61 anos, levar diversão e emoção às pessoas em diversos momentos de suas vidas. E eu, como grande apreciador de sua obra, deixo meu agradecimento desde já. Obrigado, Sir Elton John!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Brasil abduzido pela nave BBB


A cada ano que passa é sempre a mesma coisa. Assim que janeiro chega, começam os preparativos para o Big Brother Brasil. E imediatamente toda a imprensa fica atenta aos detalhes que são revelados. Esse ano, a coisa não foi diferente. Como de costume, o programa tem a apresentação do jornalista Pedro Bial e leva a direção de J. B. de Oliveira, o Boninho. Uma semana antes do início da nona edição do reality show (13 de janeiro), as imagens da nova decoração da casa e os perfis dos concorrentes ao prêmio de um milhão de reais foram divulgados, gerando muita discussão na mídia.


A principal polêmica foi a escolha de duas pessoas com mais de 60 anos de idade para entrarem na competição, fato inédito na história do programa. Até então, as edições anteriores habituaram o público a acompanharem apenas jovens de 18 a 25 anos interagindo na casa. Este ano, inclusive, a média de faixa etária ficou mais elevada, com variação entre os 24 e 63 anos. O motivo para isso seria a escolha de perfis mais interessantes, que na maioria dos casos, se encaixam naqueles que são mais longevos.


Outro fato interessante foi a seleção de candidatos de várias regiões do Brasil, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul, passando por Pará, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina e os tradicionais estados do Rio de Janeiro e São Paulo. O currículo de alguns desses participantes gerou controvérsias pelo fato deles já terem certo envolvimento com a mídia, como já era de se esperar. Dessa vez, tivemos miss, garota de capa de revista masculina e pessoas do meio artístico.

Mas tudo isso é fichinha perto do que ocorreu no dia em que a atração se iniciou. Logo de cara, quatro escolhidos foram barrados da casa e tiveram que viver numa bolha à exposição pública por uma semana, para que apenas um deles seja selecionado para entrar no programa. Os que entraram direto foram divididos em dois grupos, que ficaram em lados opostos da residência e separados por um muro que os impedem de se relacionarem entre si, gerando uma rivalidade maior entre os participantes.


Apesar de o programa ser muito criticado, eu estaria sendo hipócrita se dissesse que não assisto ao BBB. Porém, todas essas novidades deram um fôlego maior à atração, que estava com sua fórmula bastante desgastada. De fato, o reality pode até não ser a melhor dica de programa de televisão nesse verão, mas serve ao menos para aqueles que procuram uma forma desprevenida de se entreter durante o início do ano, que geralmente é permeado por produções enlatadas e reprises incessantes. Já para aqueles que não gostam, é bom ir se acostumando porque isso é só o começo.

sábado, 17 de janeiro de 2009

As múltiplas faces da moda



Quem trabalha no ramo da moda, sabe que ela se trata de um importante segmento da cultura contemporânea mundial e que é também um fator determinante no que se refere ao estilo que cada indivíduo tem de se manifestar na sociedade onde vive, através da maneira de se vestir. Todavia, assim como qualquer outra contribuição humana, o mundo da moda apresenta pontos positivos e negativos, dos quais irei tratar no decorrer deste texto.


Ao nos depararmos com uma roupa que esteja na moda, geralmente a impressão que ela nos causa é instantânea. Ela pode nos surpreender de variadas formas: seja pela beleza, pela criatividade, pela inovação, ou mesmo, pela ousadia. A principal virtude da moda, a meu ver, é a ampla capacidade de sensações que ela consegue transmitir às pessoas através da vestimenta, e a partir daí, convencê-las a seguir esse estilo, como se o próprio fosse um ser vivo dotado de significado e de objetivo natural.


Entretanto, não são todas as pessoas que se impressionam com esse ramo. Alguns acham a moda algo altamente desprezível, devido ao seu uso passageiro e por representar um estilo extremamente vaidoso de vida. Ao mesmo tempo, as pessoas que trabalham nesse segmento nem sempre são bem vistas pelo povo, especialmente por causa do estereótipo de serem sujeitos arrogantes, prepotentes e indiferentes aos outros membros da sociedade, o que não é verdade na totalidade dos casos.


Em minha opinião, esse ramo peca justamente quando se entra na questão da ditadura da moda, que só aceita pessoas em plena forma física e que utilizam roupas consideradas modernas, excluindo as que não se encaixam nesses padrões. Isso resulta não apenas num ato de segregação, mas também provoca a busca incessante por esse modelo pregado pela alta sociedade, que não representa, de fato, o modo de ser que cada indivíduo possui.


Concluindo: a moda não é boa nem má. Isso depende apenas de quem vai orientá-la, seja essa pessoa um especialista ou mesmo um leigo na área. Eu acredito que, apesar da influência da moda no mundo atual, as pessoas devem, antes de tudo, estar satisfeitas consigo mesmas, independente do que a sociedade considera ou não como padrão de beleza ou de estilo. Afinal de contas, a moda faz parte da nossa cultura; e a cultura, por sua vez, é o reflexo dos padrões de comportamento da sociedade. E não há regra maior em matéria de atitude no mundo da moda do que ser você mesmo.